O que se sabe sobre as pesquisas eleitorais falsas divulgadas por empresa misteriosa nos EUA
Eleitores americanos votam em um centro de votação montado em Los Angeles, nos EUA, em 2 de junho de 2026 — Foto: Jae C. Hong/AP Photo
Em meio a uma acirrada disputa pela reeleição, a prefeita de Los Angeles, Karen Bass, declarou nas redes sociais na semana passada que uma nova pesquisa era a prova de que sua campanha estava "ganhando força".
Poucos dias depois, a verdade veio à tona: a pesquisa era falsa.
Os resultados da Califórnia estavam entre pelo menos três "pesquisas" realizadas em três estados diferentes e divulgadas on-line neste mês pela Median Strategies, uma organização até então desconhecida que admitiu ao jornal "Los Angeles Times" na segunda-feira (17) que os supostos resultados eram falsos.
A publicação não ofereceu nenhuma explicação sobre quem estava por trás do "experimento" ou qual era o seu propósito.
A trajetória da pesquisa da Califórnia serviu como um alerta sobre os perigos de confiar em pesquisas não verificadas. Embora ainda existam pesquisas independentes de alta qualidade, elas aparecem em meio a uma série de outras pesquisas produzidas por grupos externos ou campanhas, ou que utilizam metodologias não divulgadas ou questionáveis.
Veja, a seguir, o que se sabe sobre o caso:
Embora as admissões de dados de pesquisas falsificados sejam raras, elas não são inéditas.
Em 2010, por exemplo, o blog de esquerda Daily Kos afirmou que uma pesquisa para seu site, conduzida por uma empresa chamada Research 2000, era fraudulenta.
Mas é comum que os institutos de pesquisa divulguem pesquisas com informações mínimas sobre como a pesquisa foi conduzida, quais perguntas foram feitas ou quem estava por trás dela.
Pesquisas de maior qualidade dependem de metodologias caras, como amostragem aleatória, então muitos institutos optam por soluções mais baratas.
Além disso, muitas pesquisas eleitorais são conduzidas por campanhas ou grandes comitês de ação política com interesse no resultado da eleição. Isso pode deixar poucas — ou nenhuma — pesquisa confiável e independente para avaliar em disputas como as primárias de meio de mandato.
A introdução de plataformas de mercado de previsão, como Kalshi e Polymarket, confere um significado diferente às pesquisas para as pessoas que apostam nos resultados das eleições.
As postagens sobre Wisconsin e Nevada geraram pouca reação e não foram acompanhadas de qualquer movimento perceptível nos dois mercados de previsão no momento de sua divulgação; no entanto, houve algumas alterações em ambas as plataformas depois que Bass compartilhou os números falsos da Median Strategies.
Na Kalshi, o preço de um contrato de aposta "sim" na vitória de Bass para a prefeitura de Los Angeles subiu dois centavos — de cerca de 63 para aproximadamente 65 centavos — nos quinze minutos seguintes à postagem da Median. Na Polymarket, cerca de vinte contas distintas negociaram milhares de contratos a favor de Bass seis minutos após o tweet.
Nos dias que antecederam a postagem de Bass sobre a Median, o volume de negociações sobre a eleição para a prefeitura de Los Angeles havia sido baixo, com as transações típicas daquela semana ficando abaixo de 10 dólares.
Embora as variações de preço tenham sido pequenas, a concentração de negociações em ambas as plataformas logo após a divulgação da pesquisa falsa da Median aumentou de forma relevante.
Antes de ser retirado do ar, o site da Median Strategies trazia uma declaração afirmando que "nenhum indivíduo envolvido detinha ou negociava qualquer posição em mercados de previsão eleitoral, mercados de apostas ou outros instrumentos financeiros vinculados às disputas analisadas pela Median Strategies".
A empresa destacou o que chamou de "problema de credibilidade" em sua primeira postagem nas redes sociais, no início do mês.
"As pesquisas enfrentam um problema de credibilidade. A nossa proposta é a solução: sem clientes partidários, sem dinheiro de campanhas ou partidos, e números que seguem a direção indicada pelos dados, mesmo quando isso é inconveniente. Pesquisas confiáveis, reconstruídas", escreveu a empresa.
FONTE ORIGINAL DA NOTCIA:
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/08/21/o-que-se-sabe-sobre-as-pesquisas-eleitorais-falsas-divulgadas-por-empresa-misteriosa-nos-eua-a-titulo-de-experimento-social.ghtml