Evasão silenciosa: como a falta de acolhimento afasta estudantes LGBTQIA+ das escolas no DF
Escola pública do DF, em imagem de arquivo — Foto: Divulgação
A escola é o principal espaço de educação, socialização e desenvolvimento na juventude. No entanto, para os estudantes LGBTQIA+, a sala de aula pode ser um ambiente de insegurança.
Dados do Distrito Federal e do país mostram a realidade de preconceito e violência. A Pesquisa Nacional sobre o Bullying no Ambiente Educacional Brasileiro 2024, da Aliança Nacional LGBTI+, mostrou que cerca de 90% dos estudantes LGBTQIA+ de todo o país são vítimas de agressão verbal (veja mais abaixo).
O estudo aponta ainda que 42% dos estudantes cisgênero já consideraram abandonar a escola, contra 60% dos jovens trans.
No "dicionário secreto" quase exclusivo da comunidade LGBTQIA+ – o Pajubá –, existe um termo específico para essa expulsão silenciosa: "acuendar".
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Esse foi o ponto de partida para o professor Marcus Maciel escrever o livro "Pajubá me acuendou da escola", que será lançado neste domingo (23), em Brasília. A obra reúne cinco histórias de pessoas trans que furaram essa bolha. Ao g1, Maciel comenta que a inspiração veio de uma entrevista que fez enquanto fazia pesquisas.
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Jaqueline Gomes de Jesus — Foto: Reprodução
Na obra, Maciel encontrou histórias que superam esse panorama. A vida de Jaqueline Gomes de Jesus – brasiliense, psicóloga, pesquisadora e professora universitária – é uma delas.
Ela foi a primeira mulher trans a receber o Diploma Bertha Lutz, que premia contribuições relevantes à defesa dos direitos da mulher e questões de gênero.
Jaqueline conta que um dos principais desafios que teve durante a formação foi a aceitação. Para ela, o espaço escolar e universitário precisa de mais políticas e formas de acolhimento.
Adolescentes trans relatam os desafios enfrentados no processo de transição, principalmente nas escolas
Jaqueline destaca a importância das obras que contam histórias como a dela.
No Distrito Federal, menos da metade da população LGBTQIA+ – cerca de 40,9% – atinge o ensino superior, segundo a pesquisa Retratos 2024, do Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF).
O índice despenca para 26,1% entre pessoas transgênero – abaixo da média da população cisgênero, de 33,8%.
Na rede pública, 50% dos estudantes foram vítimas de violência sistemática, ou seja, recorrente. Desse total, 17,1% eram motivados pela orientação sexual.
O relatório Bullying No Ambiente Escolar Do Distrito Federal de 2025, também apresentou que menos de 20% dos professores se sentem muito capazes em abordar LGBTI+fobia em sala.
Em nota, a Secretária de Educação informou que são realizadas ações formativas sobre diversidade sexual, prevenção da homotransfobia e acolhimento de estudantes LGBTQIA+ com base no Currículo em Movimento e em outras normativas educacionais.
Encontros que abordam temas como o uso do nome social, a retificação de documentos e o uso de banheiros por estudantes trans também são promovidos, de acordo com a pasta.
Em âmbito nacional, a Pesquisa Nacional sobre o Bullying no Ambiente Educacional Brasileiro 2024, da Aliança Nacional LGBTI+, aponta que:
Profissionais da educação têm buscado transformar essa realidade. No Centro de Ensino Médio Escola Industrial de Taguatinga (Cemeit), o psicólogo Vinícius Mota criou um projeto voltado especificamente para o acolhimento e a saúde mental de estudantes LGBTQIA+.
O "Observatório de Convivência Estudantil", foi premiado nacionalmente por criar espaço de acolhimento entre jovens trans dentro da escola. O psicólogo também faz parte da ONG Minha Criança Trans, que dá apoio psicológico e jurídico aos pais e aos jovens trans.
Porém, ele destaca que o apoio entre estudantes e educadores não bastam. É preciso ter dados.
Questionada sobre a falta de dados sobre o assunto, a Secretaria de Educação informou que "as escolas são orientadas a acolher as vítimas, registrarem os fatos e adotarem as providências cabíveis, respeitando os direitos humanos e a cultura de paz".
A história de Jaqueline e outras pessoas trans que conseguiram furar a bolha da evasão escolar estão em o "Pajubá me Acuendou da Escola". A obratítulo relata experiências de exclusão e violência no ambiente escolar.
🗓️ Quando: domingo (23);⏰ Horário: às 17h;📍 Local: Casa de Chá - Praça dos Três Poderes.
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FONTE ORIGINAL DA NOTCIA:
https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/08/23/evasao-silenciosa-como-a-falta-de-acolhimento-afasta-estudantes-lgbtqia-das-escolas-no-df.ghtml