Condomínio de salas comerciais chega a 90% do valor do aluguel em bairros do Rio
Condomínio de salas comerciais chega a 90% do valor do aluguel em bairros do Rio
Em bairros da Zona Norte do Rio, como Méier e Pechincha, o valor médio do condomínio de salas comerciais já equivale a mais de 90% do preço do aluguel. O cenário é resultado de uma combinação que tem pressionado proprietários. Enquanto a grande quantidade de imóveis vazios leva à redução dos valores cobrados pelos aluguéis, as despesas condominiais continuam subindo.
No Centro, onde mais de 30% das salas comerciais estão vazias, há casos de proprietários que reduziram o aluguel de cerca de R$ 2 mil para R$ 300 e, ainda assim, não conseguem encontrar inquilinos.
É o caso de uma sala administrada pelo advogado e administrador de imóveis Franklin Moço. O imóvel fica perto da Rua Uruguaiana e está vazio desde a pandemia.
A situação faz com que, em algumas regiões, a diferença entre o aluguel e o condomínio fique cada vez menor.
Tijuca e Maracanã vistos do alto — Foto: Alexandre Macieira/Riotur
Segundo os dados apresentados pelo RJ2, a proporção entre condomínio e aluguel chega a 90% ou mais no Méier e no Pechincha.
Em outras regiões, o peso da taxa também é elevado:
Central do Brasil e o Centro do Rio — Foto: Alexandre Macieira | Riotur
Na prática, isso significa que uma sala comercial alugada por R$ 1 mil, por exemplo, pode ter uma taxa de condomínio próxima de R$ 900 nos bairros onde a proporção está em 90%.
O fenômeno está relacionado à vacância dos imóveis comerciais. Com menos empresas ocupando os prédios, proprietários reduzem o preço do aluguel para tentar atrair novos inquilinos. As despesas para manter os edifícios, porém, não caem na mesma proporção.
Para Marcelo Borges, presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), o aumento da quantidade de imóveis comerciais vazios começou antes da pandemia, mas foi acelerado pela adoção do home office.
"A vacância ela já foi medida e foi sentida até antes da pandemia. A pandemia não é a grande vilã. Com a pandemia, evidentemente, se acelerou muito a vacância nos prédios comerciais, muita gente fazendo home office.", disse Borges.
Segundo ele, mesmo empresas que voltaram ao trabalho presencial passaram a ocupar espaços menores.
Ao mesmo tempo em que os aluguéis recuam, a própria taxa de condomínio vem sendo pressionada por despesas maiores. O RJ2 mostrou anteriormente que os valores dos condomínios no Rio subiram acima da inflação em diversas regiões.
Entre os principais fatores estão a inadimplência e o custo da água.
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Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça mudou o entendimento sobre a cobrança da tarifa mínima de água. Na prática, concessionárias passaram a poder cobrar de condomínios comerciais com um único hidrômetro geral o valor mínimo correspondente a cada duas unidades. Antes, a cobrança considerava apenas o volume efetivamente medido.
Os prédios comerciais estão entre os mais afetados porque, segundo Marcelo Borges, costumam consumir pouca água, mas podem ter uma conta elevada pelo modelo de cobrança.
No prédio onde Franklin é síndico, a situação ficou ainda mais difícil. Mesmo com várias salas comerciais desocupadas, a conta de água dobrou de valor.
A despesa passou a representar um custo fixo que precisa ser dividido entre os proprietários e ocupantes do edifício.
Arpoador, Ipanema e Leblon bairros da Zona Sul do Rio — Foto: Pedro Kirilos/Riotur
FONTE ORIGINAL DA NOTCIA:
https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/08/20/condominio-de-salas-comerciais-chega-a-90percent-do-valor-do-aluguel-em-bairros-do-rio.ghtml