'Nunca desisti dele', diz mulher de ex-detento que deixou família para cursar Medicina a 2 mil km de casa
Wallace da Costa e a esposa, Patrícia Franco — Foto: Patrícia Franco/Arquivo pessoal
Após anos de uma rotina dividida entre a sala de aula na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e a saudade da família em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, o estudante Wallace William da Costa, de 47 anos, iniciou nesta semana uma etapa que vai além do aprendizado prático: a retomada do convívio diário com a esposa e as quatro filhas.
Ex-detento que reconstruiu sua história através da educação, ele conseguiu autorização para realizar parte do internato na cidade mineira, encerrando a distância de 2.200 quilômetros que a família enfrentou nos últimos anos.
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A mudança representa a oportunidade de voltar a viver em casa após anos entre Minas Gerais e Tocantins.
“A princípio, estão liberados três meses. São duas matérias e ainda estão para liberar outras duas”, explicou.
🔎 O internato é a etapa final do curso de Medicina, quando os estudantes passam a atuar diretamente nos serviços de saúde, sempre com supervisão. Parte dessa formação pode ser realizada em outra instituição por meio de mobilidade acadêmica, conforme as regras das universidades envolvidas.
Ex-detento inicia internato após cursar Medicina a mais de 2 mil km de casa
Enquanto Wallace enfrentava o ambiente acadêmico em Araguaína, onde relata ainda sofrer preconceito por ser ex-detento, a rotina doméstica ficava com a esposa, Patrícia Franco.
Casada com Wallace há 20 anos, ela conta que a ausência do marido era um desafio diário na criação das filhas, que têm entre 10 e 16 anos.
Para Patrícia, embora o tempo de permanência de Wallace em Juiz de Fora ainda dependa de trâmites universitários, o momento é de celebração.
"Eu nunca desisti dele, tenho muito orgulho da trajetória do meu marido e do pai que ele é. Vamos aproveitar esse pouco tempo que está sendo precioso. É um sonho realizado. Ele merece ter conseguido isso", finalizou.
Desde o início da graduação na UFNT, em 2023, o contato físico com a família ficou restrito aos períodos de férias escolares.
No dia a dia, a tecnologia era a ponte para amenizar a saudade, mas não eliminava a preocupação com a rotina familiar.
A situação tornava-se mais delicada devido às necessidades especiais de uma de suas filhas, que tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível três de suporte.
Agora, próximo de concluir o curso, comemora a possibilidade de passar mais tempo ao lado delas.
Wallace William da Costa volta para Juiz de Fora para iniciar a etapa prática do curso — Foto: Arquivo Pessoal
Wallace concluiu o ensino médio na penitenciária e, depois, foi aprovado para o curso de Medicina — Foto: Reprodução/TV Integração
O caminho de Wallace até a universidade começou muito antes de vestir o jaleco. Aos 18 anos, ele foi preso e cumpriu quatro anos de pena em regime fechado.
Durante o período em que esteve preso na Penitenciária José Edson Cavalieri, em Juiz de Fora, decidiu concluir o ensino médio.
Após deixar o sistema prisional, continuou os estudos. Ele se formou em enfermagem, passou em concursos públicos e, anos depois, retomou o sonho de cursar Medicina.
Em 2025, foi aprovado em um concurso público para o cargo de médico em Minas Gerais. Agora, espera concluir o curso para assumir a função pública.
Após cumprir pena por tráfico de drogas, homem passa para cursar Medicina
FONTE ORIGINAL DA NOTCIA:
https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/08/20/nunca-desisti-dele-diz-mulher-de-ex-detento-que-deixou-familia-para-cursar-medicina-a-2-mil-km-de-casa.ghtml