Pimenta-do-reino na cocada? Doce de sabor inusitado vira fonte de renda para produtores no ES
Pimenta-do-reino vira reforço de renda para muitas famílias que plantam café no ES
Pimenta-do-reino na cocada? A combinação improvável deu certo e virou fonte de renda em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo. A ideia surgiu quando a produtora rural Poliane Silva decidiu transformar a especiaria que já era cultivada na propriedade em um doce diferente, criar um novo produto e aumentar a fonte de renda da família.
O resultado conquistou clientes e mostra como a pimenta, que faz do estado o maior produtor do país, também pode ganhar novos mercados, não apenas nas lavouras.
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Poliane foi funcionária pública por 18 anos e, há cerca de um ano e meio, passou a ajudar mais o companheiro no trabalho na propriedade rural. Foi nesse período que começou a pensar em novas formas de aproveitar a produção.
"Eu já tinha desenvolvido cocada de café e falei: 'Preciso fazer uma inovação, achar um novo produto à base de pimenta'. E falei: 'Gente, vamos testar esse negócio'. E não é que deu super certo?! O pessoal tem amado experimentar", comemorou.
O desafio foi encontrar o equilíbrio entre o doce e o sabor marcante da especiaria. Depois de vários testes, Poliane chegou a uma receita em que a pimenta aparece aos poucos, sem deixar a cocada excessivamente ardida.
Cocada com pimenta vira opção de renda para produtores no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta
"Quando eles experimentam, logo de início fazem essa pergunta: 'Mas não tem pimenta?' E depois: 'Humm, agora senti, a pimenta chegou'. Quando engole, você sente. Não é um doce tão ardido e também não fica sem ardor, mas no ponto certo. Foi muito difícil achar esse ponto, foram várias receitas, mas no final deu certo", explicou.
Hoje, as cocadas são comercializadas em feiras, eventos e também por encomenda. A experiência mostrou uma possibilidade de agregar valor a um produto que já tem peso importante na economia do Norte capixaba.
Em Jaguaré, a pimenta-do-reino divide espaço com outra cultura tradicional do Espírito Santo: o café. Há mais de cinco décadas, a família do produtor rural Jarbas Nicoli cultiva a especiaria. Atualmente, são cerca de 80 hectares plantados na propriedade.
Segundo Jarbas, a pimenta se tornou uma importante fonte de renda complementar e ajuda a equilibrar as contas durante o ano.
"A família trabalha na produção de pimenta-do-reino desde os anos 1970. A cultura é muito forte e vem nos ajudando bastante. A pimenta vem colaborando junto com a produção de café, fazendo um equilíbrio financeiro dentro da propriedade rural", afirmou.
Cocada com pimenta vira opção de renda para produtores no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta
A planta pode ter uma colheita mais forte e outras duas menores ao longo do ano, o que ajuda a distribuir a entrada de dinheiro na propriedade. Além disso, o produtor destaca que a possibilidade de armazenar o produto permite esperar momentos mais favoráveis para a comercialização.
"É uma mercadoria que pode ser guardada, então, dá um certo equilíbrio. É uma mercadoria muito forte e muito boa", disse.
Apesar da importância econômica, manter a produtividade da lavoura exige cuidados constantes. Entre os principais problemas enfrentados pelos produtores estão doenças que provocam a morte das plantas.
Jarbas conta que adotou práticas de controle biológico e também faz a renovação das áreas afetadas.
"Nós temos feito controles biológicos, reduzindo o índice de mortalidade. E aqui eu faço o controle: morreu, começo a plantar a lavoura de café para ir renovando as lavouras", explicou.
Outro desafio é encontrar trabalhadores durante o período de colheita. Para tentar contornar o problema, o produtor utiliza parcerias agrícolas e busca alternativas que reduzam a dependência da mão de obra manual.
"Um dos desafios é juntar pessoas na época da colheita. Temos que buscar tecnologias que possam estar nos auxiliando", afirmou.
Jaguaré é o segundo maior produtor de pimenta-do-reino do Espírito Santo — Foto: TV Gazeta
Jaguaré é o segundo maior produtor de pimenta-do-reino do Espírito Santo, atrás apenas de São Mateus. Em 2025, o município produziu cerca de 10 mil toneladas. Para 2026, a expectativa é chegar a 15 mil toneladas.
Para o secretário de Agricultura de Jaguaré, Jefferson Reinaldo de Oliveira, a cultura tem um papel importante na diversificação das propriedades rurais e funciona como uma fonte de renda principalmente após a colheita do café.
"A importância da pimenta-do-reino para o município é a questão da diversificação da agricultura. E, pós-colheita do café, é uma renda a mais que entra para o produtor rural. Também aumenta o trabalho e o comércio melhora", explicou.
O Espírito Santo é o maior produtor nacional de pimenta-do-reino. As características de clima e solo do Norte capixaba favorecem o cultivo da especiaria.
Segundo Jefferson, a rentabilidade também tem atraído produtores de volta para a cultura depois de períodos de perdas provocadas pelo clima.
"Se você colocar em hectares o valor do café que está hoje, é mais rentável que o café conilon", afirmou.
Cocada com pimenta vira opção de renda para produtores no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Apesar das boas perspectivas, o clima é um dos principais fatores de preocupação para quem trabalha com a cultura. Em 2023, por exemplo, o excesso de chuva provocou perdas nas lavouras de pimenta na região.
A temperatura também exige atenção. Segundo o secretário, quando os termômetros passam dos 35°C, a planta pode sofrer perdas durante a florada.
Para os produtores, a busca por formas de enfrentar as mudanças nas condições climáticas será fundamental para manter a produtividade nos próximos anos.
Entre os desafios da lavoura e as novas possibilidades de comercialização, a pimenta-do-reino ganha cada vez mais espaço na economia do Norte capixaba — seja vendida como especiaria, seja transformada em produtos inusitados, como uma cocada que mistura o doce tradicional ao sabor picante produzido no próprio estado.
Jaguaré é o segundo maior produtor de pimenta-do-reino do Espírito Santo — Foto: TV Gazeta
FONTE ORIGINAL DA NOTCIA:
https://g1.globo.com/es/espirito-santo/agronegocios/noticia/2026/08/23/pimenta-do-reino-na-cocada-doce-de-sabor-inusitado-vira-fonte-de-renda-para-produtores-no-es.ghtml